Arquitetura

Maria Teresinha Heimann
Arte educadora, atriz, cenógrafa, artista plástica, idealizadora do Fenatib, Mestre em Educação do Ensino Superior/FURB- Presidente do INARTI- Instituto de Artes Integradas de Blumenau e membro da Academia Catarinense de Letras e Artes – ACLA

Li algumas manifestações a respeito do projeto arquitetônico de Ampliação do Arquivo Histórico  de Blumenau, colocando  que o mesmo deveria seguir a linha  de algumas construções típicas da cidade, deixando claro que assim estaríamos  preservando  a arquitetura alemã. Quero a princípio parabenizá-los pela  preocupação  com a preservação do enxaimel  da cidade, porém, quero acreditar também, de que se trata  a fala do enxaimel autêntico, ainda preservado em  nossa arquitetura antiga e não  os “falsos enxaimeis “que nada acrescentam  para a historia da colonização alemã. Dito isto , gostaria de passar algumas informações a respeito. Segundo a  carta de Atenas de novembro de 1933, apresentada   na Assembléia do Congresso Internacional de Arquitetura Moderna, ao se referir sobre  a vida de uma cidade, fala da arquitetura como   um acontecimento contínuo, que se manifesta ao longo dos séculos e surgem de obras materiais, traçados ou construções, que lhes garantem uma personalidade própria e que pouco a pouco serão respeitadas como valor histórico. Preocupava-se na época com a destruição dos verdadeiro valores arquitetônicos, que com o crescimento fazem uso do estilo do passado sob pretexto estético, que poderiam ter conseqüências nefastas, e  cria situações perigosas  ao fazer a imitação, levando a um impasse de ser difícil de salvaguardar com sabedoria o passado..

Na verdade tais métodos são contrários à grande lição da história. As obras primas do passado nos mostram que cada geração teve sua maneira de viver, de pensar , suas convicções sociais, políticas e estéticas, recorrendo a elas como um trampolim para sua criação imaginária com os recursos técnicos oferecidos na época. Assim, copiar o passado é condenar-se à mentira, ao falso, pois as antigas condições de trabalho não podem ser reconstituídas a aplicação da técnica moderna a um ideal ultrapassado sem levar a um simulacro desprovido de qualquer vida, ou seja, misturando o” falso” ao “verdadeiro” fora do alcance de uma impressão de conjunto e pureza de estilo.

Pode apenas chegar a uma reconstituição fictícia, capaz de nos levar a desacreditar no autêntico que mais devemos é nos empenhar em preservar.

Não é em vão que historiadores abnegados com a preservação da história mergulham fundo nas suas pesquisas em favor da preservação de nossas heranças culturais.Por isso mais uma vez afirmamos a importância de suas colocações para dizer também que este projeto Ampliação do Arquivo Histórico de Blumenau é  uma antiga reivindicação dos pesquisadores e profissionais envolvidos no Arquivo Histórico de Blumenau, foi bastantes discutido pela equipe de arquitetos, pela Associação do Amigos do Arquivo Histórico de Blumenau e pessoal técnico, e , com certeza será um marco importante na preservação adequada da memória cultural da região.

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