A velha nova escola

Prof. Me. Roberto Carlos Murphy

 RESUMO

O presente artigo quer trazer à tona uma reflexão sobre as estratégias que a Escola atual (a Nova Escola) poderia adotar no sentido de tornar-se mais atrativa e estimulante, tanto para o seu corpo discente quanto o docente, no que tange a sua metodologia e seu enfoque. Começar a investigar o quanto o exemplo de uma Velha Escola poderia fundamentar um conceito filosófico novo para a Escola de hoje. O quanto, também, a Metodologia do Teatro-Educação poderia servir de parâmetro para uma renovação dos processos educacionais e assumir de vez a coragem de mudar. Coragem, pois, precisaria haver uma transformação dos meios e a Velha Escola Peripatética serviria de metáfora, isto é, de ideal simbólico, e o Teatro como o meio efetivo de concretização desse ideal que, por ser simbólico, passa a ocupar outras instâncias do Ser Humano.

APRESENTAÇÃO

      Numa das aulas do Mestrado em Teatro na Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina) ouvi o professor Edélcio Mostaço falar sobre a Peripatética, explicando seu significado e explicitando uma síntese: o educar caminhando. Aquela imagem ficara em minha mente: o mestre e o discípulo caminhando, lado a lado, trocando saberes e ensinamentos, através do movimento, da ação; e da renovação dos ambientes. Imediatamente, fiz uma relação com o Teatro, meu ofício havia mais de duas décadas.

           Agora, uma década depois, na qual me dediquei ao ensino-aprendizagem do Teatro, revendo meus conceitos sobre a Escola e seus métodos; busco novamente esta imagem para tecer um pensamento a respeito do processo educacional a que são submetidos crianças, jovens e adultos em nossa região e, de forma múltipla, no país. Consultando a internet, informalmente, busquei algum conceito que viesse a esclarecer uma espécie de ‘intuição amorfa’(*) que me acometera a respeito desta imagem da Peripatética. Duas afirmativas pareceram-me importantes salientar como forma de iniciar tal intento:

            A primeira, constante do primeiro item do artigo de Mariana Cruz, intituladoDa arte de caminhar’, chamado O caminho dos filósofos o qual julguei apropriado por ser sintético e, portanto, objetivo: “Dentre as várias escolas da Antiguidade existe uma que se destaca: o método peripatético, utilizado por Aristóteles no Liceu. O exótico adjetivo se deve ao fato de ele dar suas aulas caminhando pelo ‘peripatos’, uma alameda situada nos jardins do Liceu. As andanças eram feitas pelas manhãs, e nelas mestre e discípulos discutiam as questões filosóficas mais profundas ligadas à metafísica, à física e à lógica.”

                  A segunda – definitiva para mim – vem de uma consulta ao site www.filosofiacritica.wordpress.com, ligado à Faculdade de Letras do Porto, Portugal: “Acreditavam, e bem, que o exercício físico irrigava o cérebro, o que melhorava as suas performances cognitivas. Caminhar enquanto reflectimos ajuda-nos a assimilar conhecimentos,  a  melhorar a criatividade,  a  estabelecer relações entre ideias e a ser estimulados física e mentalmente por paisagens, cheiros, barulhos e silêncios. Além disso, o facto de caminharmos enquanto dialogamos com outras pessoas (aos pares) põe-nos em sintonia com elas. Ao partilharmos o mesmo esforço físico e mental somos levados a aceitar mais naturalmente outras perspectivas e críticas às nossas ideias o que torna o diálogo mais cooperativo e menos dialéctico. Por outras palavras, caminhar põe-nos a pensar com os músculos, com os sentidos e com o coração e não apenas com o cérebro.”

 

Intuição Amorfa (*) Termo cunhado por Peter Brook em seu livro ‘O Ponto de Mudança’ na tentativa de explicar aquilo que o motiva na concepção de uma obra de Arte. Fala que há uma sensação positiva de que algo possa ser possível, mas que não tem ainda uma forma definida, clara, no momento da escolha do projeto artístico. Sabe-se que por aquele caminho pode haver um lugar em que a sensação criará forma e poderá vir a encantar as pessoas, mas o início é sempre turbulento e, portanto, provocador.

             Ao ler tais conceitos acerca da Peripatética, tive a impressão de estar em contato com alguma disciplina que tratasse do Teatro enquanto meio de ensino-aprendizagem, uma vez que todos os quesitos apresentados assim o credenciavam: ação física, estímulo psicofísico, intensificação dos sentidos e da interação com o outro e, consequentemente, com o mundo; Protagonismo/Antagonismo, etc. Assim, clareou-se um itinerário capaz de dar à intenção inicial uma objetividade, uma perspectiva possível, uma certeza a ser confirmada. Dar à intuição uma forma.

             O itinerário a ser seguido, neste caso, seria o ofertado pelo Teatro. Dedução pertinente se considerarmos as bases conceituais e etimológicas apresentadas pela Enciclopédia Britânica (Encyclopædia Britannica), “a palavra teatro deriva do grego theaomai (θεάομαι) – olhar com atenção, perceber, contemplar.” (1990, vol. 28:515). Theaomai não significa ver no sentido comum, mas sim ter uma experiência intensa, envolvente, meditativa, inquiridora, a fim de descobrir o significado mais profundo; uma cuidadosa e deliberada visão que interpreta seu objeto. (…) O teatro, mais do que ser um local público onde se vê, é o lugar condensado da vivência das ambiguidades e paradoxos, onde as coisas são tomadas em mais de uma forma ou sentido. (Theological Dictionary of the New Testament vol.5:pg.315,706).

          A conclusão a que cheguei, naquele momento, foi que seria interessante pesquisar esta impressão: seria o Teatro um meio peripatético? Um resgate de um jeito de ser do processo educacional? Poderia ser ele – o Teatro – o retorno a uma velha nova Escola?

INTRODUÇÃO

        Diante das experiências vividas em sala de aula e acompanhando os comentários de professores que atuam em nossas escolas, percebe-se que estamos diante de uma trágica situação em que o educador e o educando, ambos, perderam sua referência da escola enquanto lugar de realização de seus sonhos. Aquele abrigo de talentos e de predisposições, lugar de esperança e de desafios, passou a ser um estorvo, um lugar de decepções e de vinganças pessoais latentes. Uma espécie de ringue em que a violência paira no ar. Não se enganem. Mesmo na aparente placidez há um ranço aceso latejante, pronto para quebrar alguma regra inconsequentemente. Nada de novo há nisso, uma vez que há muito tempo a estrutura escolar verticalizada e incisiva achatou corações e mentes. Claro, mas parece que a coisa é deveras crítica, insustentável; visto que não se age no sentido de solucioná-la efetivamente. Há, claro, iniciativas excepcionais neste sentido, as quais devem ser louvadas, ressaltadas, imitadas; mas não suficientes para abarcar o lugar de ensino público, popular, periférico; o qual, justamente, seria aquele capaz de transformar efetivamente a sociedade.

O que se deseja enfocar e discutir neste artigo é o aspecto da Escola brasileira diante do mundo contemporâneo. O aspecto a que se refere está intimamente ligado à sua imagem, ao olhar que se lança para o edifício e o meio ambiente deste e as consequentes relações nele estabelecidas. Parece tudo convergir para uma massa, um coletivo uniforme em ruínas, enquanto que o ensino e a aprendizagem só acontecem efetivamente num âmbito particular, individual. Obviamente, fadado a desaguar no social, o qual também é e será fonte de saber e conhecimento. Não se trata de uma tentativa de defender o individualismo, mas sim enfatizar a necessidade de reconhecer que cada estrutura pessoal demanda uma forma de aprendizado. Isso, por sua vez, provoca um novo olhar para a Escola, instituição milenar de formação e manutenção de estruturas sociais, culturais e de fomento de subsistências.

 

Materiais e Métodos

Os dias de hoje predispõem uma necessidade de se voltar ao início de tudo, lá onde o fator humano enquanto ser vivente e permeado de natureza se entendeu como tal: o ser humano primordial. Isto é, um ser voltado ao coletivo, à tribo, ao clã, ao social. Afirma-se isso, pois as pessoas estão engessadas por tecnologias digitais achando que estão libertas e pertencentes a uma aldeia global, virtual e múltipla, mas não. Tal constatação remete-nos a entender que somente uma dose de ‘primitividade’ humana pode nos ‘salvar’.

“Um dos instintos mais primitivos e importantes do homem é a necessidade primária do “ser com o outro” e esta primitividade está sendo distorcida por uma visão falsa do “ser independente” onde o homem não quer mais ter esta necessidade do “ser com o outro” tese aceita por esta visão moderna como qualidade para uma humanização saudável.” Assim está indicado no Texto ‘Primitividade Humana e a Visão Moderna de Humanização’ de Sandra Sucupira (http://complexidade-humana.blogspot.com.br/2012/03/primitividade-humana-esquecida.html)

“Primitividade” esta que se consubstancia pela volta aos primórdios da experiência humana do saber, quando o conhecimento era perpassado pela experiência actante, viva, natural. Quando se tinha o prazer da descoberta e a natureza ainda era um objeto de culto e, portanto, de respeito. Não mais uma educação conceitual como conhecemos de muito, nem uma virtual, que parece querer se instaurar a todo custo, tirando o educando do aprendizado motor, psicofísico, real. Mas sim uma união destas (conceituações e meios virtuais) com a aventura da vida.

Para iniciar uma avaliação do que se deseja abordar no presente artigo, precisaremos retomar o termo ‘Peripatético’ que é a palavra grega para “itinerante”, “ambulante” e tal imagem (de movimento e diversidade) inspira considerarmos uma Nova Escola a partir desta Velha Escola, desta escola ancestral ocidental. Uma Escola táctil, olfativa, visual, enfim, sensorial, no sentido de estimular o Todo do indivíduo. Afinal, Ensino sem desafio e sem dinâmica não é ensino, mas sim adestramento.

Com certeza, uma forma do ensino-aprendizagem mais saudável esta, a da peripatética, porque dinâmica. A inação a que nossos estudantes são submetidos, encarcerados, diariamente na tentativa de estímulo ao aprendizado é uma das causas de maior rejeição destes ao universo escolar de hoje em dia. Com certeza, pois é uma necessidade psicofísica da criança e do jovem o movimento e o desafio do jogo. Se a intenção é transformarmos nossa sociedade através da Educação, é necessário que assumamos estes aspectos em definitivo, não em ações pontuais abortadas por uma rotina escolar enfadonha, cheia de altos e baixos, portanto, inconstante. Claro que a inconstância faz parte do jogo, mas o que se deseja falar neste momento é que há uma necessidade de uma disciplina e uma constância de recomeços diários nem sempre suportados pelos agentes de nosso Ensino. Quando no Teatro necessitamos de uma realização (a consumação de uma encenação) mergulhamos psicofisicamente no empreendimento pretendido. E é exatamente desta constância de que se fala é de que se alimenta o sucesso de um espetáculo teatral, para pontuar o exemplo apresentado.

Leva-se, neste momento, em conta uma frase de um grande pensador e realizador do teatro nacional, Celso Nunes, que, numa oficina de direção teatral no início da década passada, expressou: quando se tem dúvidas a respeito de algo, volte ao início de tudo, ao momento e ao motivo que o impulsionaram seguir por determinado caminho. Com isso, quero dizer que sempre que a missão do educador for posta em dúvidas por ele mesmo, este deverá perguntar-se o que o levou a seguir por esse caminho, que desejos e necessidades o impulsionaram neste sentido. Se a resposta for ganhos financeiros e prestígio de celebridade, lamento dizer, o desastre está previsível.

Tudo isso para dizer que a escola precisa voltar-se para a sua essência para  poder se reconstruir. Considerando-se que a palavra “escola” deriva de um termo grego “schóle” que significa “lugar do ócio, do lazer” propõe-se uma discussão: é possível uma escola que proporcione o prazer? Um lugar em que um passeio, por exemplo, possa instigar a necessidade de saber ao mesmo tempo em que instigue desafios, jogo e mistérios a serem desvendados? Uma Escola em que se desenvolvam protagonistas e antagonistas de uma rede complexa de relações, de ações e reações, que é a Vida. Vida não se faz apenas em teoria, Vida se faz na prática e a Vida é diversa, diversificada, multiforme; plural.

Mas, que atividade ou metodologia daria conta deste arsenal de demandas? O que teria a capacidade – de forma objetiva e eficaz – de dar conta de tantos predicados e tantas disciplinas? Que meios ainda podem tirar nossas crianças e jovens de um ostracismo preocupante e grave percebido em suas relações com a tecnologia e as mídias? Falando neste arsenal, o que seria afinal?

 

Resultados e Discussão

Então.  O Teatro pode ser um meio de se consolidar a Nova Escola. Mas, por que o Teatro? Porque o Teatro é a usina de Protagonistas e Antagonistas e, também, é, em sua essência, jogo e prazer e o seu aparente ócio é, na verdade, pura atividade psicofísica. A ação do Teatro numa comunidade escolar pode ser uma forma de reproduzir metaforicamente a peripatética, pois há um caminho a ser trilhado e não há como segui-lo sem que seja através da disposição, da dinâmica, do desafio, do aprendizado empírico. E o mais rico e tentador nisso tudo é que o Teatro pode falar de quaisquer assuntos, temas, disciplinas. Através dele pode-se experimentar a matemática, a física, a biologia, a química, a linguística, a gramática, a métrica, a música, a poesia. Aliás, é poesia em essência.

É, enfim, a justa medida entre a Ciência e a Arte. E tais potencialidades só existem através da materialidade. Não há Ciência sem a experimentação comprobatória dos materiais, senão é hipótese, uma tese não comprovada, concretizada.  E Arte, da mesma forma, só existe por meio de algo concreto que lhe dê suporte: um instrumento musical, uma tela, um objeto, um corpo.

A Ciência e a Arte formando um símbolo ostentado pelo instrumento Teatro, a Arte mais simbólica de que temos indícios. Portanto, um meio que contém em si significados e significantes. Significados que indicam “o que” se quer dizer e o que é em essência. Significantes que se consubstanciam como os meios utilizados para se dominar e fazer comprovar os significados; o “como” se deve fazer.

Novamente evidencia-se a dicotomia Ciência e Arte como vertentes de mesma raiz. Ambas tratam da experiência humana no mundo. Vejamos: a Ciência trata do meio ambiente como um todo e as relações micro e macro que nele se estabelecem, incluindo aí as sutilezas da psicologia até as concretudes contundentes das engenharias. A Arte, do Teatro em especial, trata também de um ambiente em que se estabelecem alquimias de várias esferas da existência. Então, por que dissociar estes mecanismos do processo de ensino-aprendizagem em nossas escolas? Para que ainda nos serve uma escola formatada conforme os ditames de uma disciplina rígida imposta pela era industrial se já a estamos em vias de superá-la histórica e socialmente?

A Nova Escola precisa da aventura de estar vivo, não de engessamentos castradores. E os mestres – os professores, mais precisamente –  precisam deixar de cumprir rituais conformados e contidos. Precisam do exemplo dos peripatéticos quando saiam pelo mundo para falar do mundo aos seus pupilos. A visão de quem está ao lado de alguém é muito mais estimulante do que de quem está abaixo ou diante de um ícone amedrontador e imutável. E o neologismo “CiênciArte” inspira algo como “Dar-te ciência de”, além de sugerir um olhar mais artístico da Ciência e uma postura mais consciente diante da Arte.

Arte e Ciência. Ciência e Arte. Dois polos que movem um conteúdo fascinante e, portanto, estimulante. Entre tais aparentes opostos transitam toda a sabedoria e todo o conhecimento humanos. Sabedoria está definida aqui como a interpretação subjetiva da vida diante da experiência no meio e nos fatos. Conhecimento é o acúmulo objetivo de saberes de ordem racional, que devem ser provados e comprovados, para que alcancem tal estatuto.

Diante disso, é necessário olhar a escola não mais como uma retransmissora de informações apenas. Esta função já foi assumida pelos meios de comunicação, principalmente a internet. Se pudéssemos comparar os meios que minha geração empreendeu para buscar conhecimentos e sabedorias para a realização de seu arsenal profissional com os de que dispõe a geração atual chegaríamos a uma conclusão de que não há como comparar pela vantagem da geração atual. Porém, como tudo na vida, aquilo que apresenta maior desvantagem, no caso as condições das gerações anteriores, pode proporcionar uma vantagem que é o deslocamento na geografia e no tempo. Antes, para alcançarmos conhecimentos precisávamos nos deslocar quilômetros, enfrentando o tempo; levando dias, semanas até. Mas, há aí o ingrediente de que se fala em relação à Nova Escola: o movimento, o jogo, a interação, a interrelação, a companhia.

O conhecimento pode ser adquirido através do computador, confirmado pela chancela do educador presente. A escola deve promover o desafio do saber, da sapiência e da saúde psicofísica. É constrangedor a um professor chegar à sala de aula e encontrar um aluno abastecido de muitas informações que ele ainda insiste em trazer e expor como se fosse uma novidade. Novidade seria a sua forma de abordagem, o seu desempenho enquanto educador renovado pela experimentação, pela peripatética contemporânea.

Utopia? Não se os teatristas puderem interferir neste processo de renovação da Escola. Somente se as leis do Teatro puderem estabelecer a nova ordem do Universo da Escola poderá ser possível um novo ambiente escolar. O Teatro valoriza o Ser Humano, ressalta-o, não apenas como um protagonista, mas também como alguém dos bastidores que pensa e deve engendrar peripécias cênicas que possam comunicar e estabelecer conexões entre pessoas, envolvendo-se em conhecimentos de várias áreas como a elétrica, a mecânica, a física, etc.

Como dito acima, a peripatética é uma forma metafórica de demonstrar resumidamente o que se quer com o Teatro como o meio renovador escolar. Vejamos: o ator caminha junto ao espectador para, em sinergia, desvendar aspectos da experiência humana no planeta Terra. Por meio do despertar dos sentidos, pode-se absorver melhor um conhecimento, um saber. E isso o Teatro promove em todos os seus parceiros, tanto em quem emite quanto em quem capta a informação.

Sem contar que o fazer teatral predispõe etapas contundentes no processo de construção da intelectualidade e das tecnologias, pois exige que se parta em busca, inicialmente, das bases conceituais e da análise de dados para, em cima disso, criar e representar. Fala-se assim considerando-se o ofício do ator o ofício da atuação que, por sua vez, engloba a interpretação (levantamento de dados) e a representação (a simbolização destes dados).

Outro aspecto importante nesta análise é a concepção do papel do drama neste fenômeno chamado Teatro. Segundo Ricardo Japiassu no livro ‘Metodologia do Ensino de Teatro’ o termo grego “drao” (drama) quer dizer “eu faço, eu luto” e assim, mais uma vez, chega-se a uma perspectiva da “ação”, do movimento, da dinâmica. Nada no Teatro é imutável. Tudo está o tempo todo agindo. Mesmo um som, mesmo um feixe de luz, uma voz, uma presença.

 

Conclusões

Talvez esteja aí uma das possíveis elucidações de nossa proclamada Nova Escola: o estímulo à presença, sem a qual, por sinal, o verdadeiro Teatro não existe. E estar presente é fazer, lutar contra os desafios. Arregaçar mangas e pernas de calça para estar apto ao jogo que sempre requer presença de seus partícipes. Não obstante, Presença e Autonomia são capacidades inerentes de quem joga, pois se não se estiver presente e livre para agir (dentro das regras) não haverá como acionar e manter a brincadeira viva.

O fato é que isso exige a ativação do mestre no sentido do lúdico e do interativo. Não há como existir um educando ativo, sem que haja um educador prestativo e disposto ao movimento. Um mestre ativo precisa ser como um ator naquele fenômeno do Teatro japonês em que é reconhecido pelo seu esforço, por demonstrar-se realmente cansado após sua atuação. O conduzido, neste caso o público, agradece ao condutor, o ator, pelo empenho e dedicação.

Não se quer a destituição dos mestres de seus postos, apenas sua mudança de postura quanto à sua real função na sociedade, que é a de indicar caminhos. Não os caminhos hipotéticos, soturnos e misteriosos de uma teoria estagnante, mas de um caminho permeado pela teoria enquanto o fator motivador de um estudo brincante, vivo e estimulante. Um estudo-arte.  Itinerante. Peripatético. Numa Escola Ancestral renovada pelo mundo contemporâneo.

A Nova Escola seria a Velha Escola. Ou a Velha Escola sendo a Nova?

 

REFERÊNCIAS

BROOK, Peter. O Ponto de Mudança

Japiassu,  Ricardo. Metodologia do Ensino de Teatro

Theological Dictionary of the New Testament vol.5:pg.315,706.

Enciclopédia Britânica (Encyclopædia Britannica)

www.filosofiacritica.wordpress.com ‘Da arte de caminhar’  ‘O caminho dos filósofos’    de  Mariana Cruz

http://complexidade-humana.blogspot.com.br/2012/03/primitividade-humana-esquecida.html) ‘Primitividade Humana e a Visão Moderna de Humanização’ de Sandra Sucupira

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

^